MOÇÃO APROVADA – III

 

Nós, Delegados no II ENESE, afirmamos nossa oposição à proposta de flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) apresentada em setembro de 2001 pelo Governo Federal, pois ela pretende revogar a maior parte dos direitos trabalhistas garantidos em Lei. Excetuando os direitos relativos à saúde e à segurança do trabalho, a proposta prevê que todos os demais direitos sejam submetidos a acordos trabalhistas, a serem firmados entre patrões e empregados.

O Governo Federal afirma que essa pretendida flexibilização da legislação, que ele considera muito rígida, se faz necessário para poder diminuir os custos das obrigações trabalhistas.

Alega também que com o emprego “caro”, em caso de crise, só restaria ao patrão desempregar.

São argumento antigos da cartilha neoliberal. Sabemos muito bem que o salário médio do trabalhador brasileiro é um dos mais baixos do Mundo, e a sua produtividade é competitiva, inclusive com a dos países ricos.

Sabemos também que os vilões do “custo Brasil” são as altas taxas de juros, os impostos e contribuições indiretas, que incidem em cascata sobre a produção.

Recentemente assistimos estarrecidos a ampla campanha publicitária do Ministério do Trabalho e Emprego – paga com o dinheiro do povo –, contra a CLT. Triste também foi constatar a participação de dirigentes sindicais nesta mesma propaganda do Governo, defendendo a flexibilização. Felizmente essa propaganda foi suspensa por decisão judicial.

Em aliança com os empresários, e aplicando o receituário neoliberal do FMI, o Governo Federal insiste que sejam renegociados direitos como o repouso semanal remunerado, férias e licença maternidade, dentre outros, visando sepultar a legislação de proteção ao trabalhador brasileiro.

Estamos particularmente apreensivos e atentos às sucessivas investidas do Governo Federal contra as conquistas e os direitos trabalhistas.  

 

Subscrevem os Delegados dos seguintes sindicatos:

1.    SINDECON-BA

2.    SINDECON-CE

3.    SINDECON-PE

4.    SINDECON-RO

 

João Pessoa (PB),  26 de abril de 2002.