O que é o "Rating" Brasil? Hora:18:41 Especialistas iG Economia: www.igeconomia.com.br William Eid Júnior e Fábio Gallo Garcia* Existem várias instituições internacionais que classificam o risco dos países não pagarem suas dívidas. Cada uma tem a sua maneira de fazer essa classificação - o chamado "rating" - e utiliza uma forma diferente de apresentar essa classificação. Quais são as principais diferenças entre elas? Como entendermos as notas dadas por essas instituições? Quando lemos a notícia de que o "Risco Brasil" subiu, entendemos que o risco para quem quer investir no Brasil aumentou. Associamos essa notícia ao fato de que a situação no país piorou. Captar recursos no mercado internacional torna-se mais caro para nós porque os juros cobrados serão maiores. Por outro lado, quando o "Risco Brasil" cai, devemos entender de maneira inversa, pois a percepção é de que houve uma melhora da nossa situação. Existem dois tipos de medidas usuais de risco de um país, o que pode causar uma certa confusão. Para podermos entender melhor sobre isso vamos estabelecer uma segmentação entre esses dois tipos, como abaixo:
Essa classificação de Risco Soberano tem como base uma análise completa que considera todos os fundamentos da economia brasileira. Apresenta ao mercado um parecer sobre o grau de risco do país por meio de notas, expressas por letras. Esse índice busca medir a capacidade e vontade de um país de pagar a sua dívida com os investidores internacionais. As agências classificadoras consideram em suas análises diversos aspectos que podem ser observados diretamente. No entanto, essas instituições utilizam critérios que nem sempre ficam claros para o público em geral, mas que podem ser agrupados em oito categorias: Risco Político, Renda e Estrutura Econômica, Perspectiva de Crescimento Econômico, Flexibilidade Fiscal, Ônus da Dívida Pública, Estabilidade de Preços, Flexibilidade do Balanço de Pagamentos e Dívida Externa e Liquidez. A classificação dos países é subdividida em dois grupos:
Embora, existam diversas agências que editem esse tipo de classificação, cerca de 80% do mercado está nas mãos da Moody´s e da Standard Poor´s. Assim, é apresentado abaixo um quadro com as classificações dessas duas empresas que usam símbolos distintos, mas de fácil comparação entre si.
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Segundo essas empresas o Brasil está na categoria de sub-investimento. A Moody´s classifica o nosso País como B2. Portanto, apontado com um país de alto risco e investimento em nossos títulos considerado como especulação. Ao mesmo tempo, essa agência apresenta melhor classificação para países como a Bolívia (B1) e Colômbia (Ba2), embora considere, no geral, os países da América do Sul no grupo de sub-investimento. Já o México está na categoria de Grau de Investimento. A grande diferença é que os Fundos de Pensão dos Estados Unidos só podem investir em países que sejam classificados como Grau de Investimentos. É uma grande diferença pois esses fundos possuem trilhões de dólares ! Já que o Brasil atualmente não apresenta indicativos de "calote", por que essas agências nos classificam de maneira tão ruim? Parece que há um certo cuidado excessivo com a classificação, principalmente depois que elas cometeram erros grandes de classificação em países da Ásia e também na Rússia. Assim elas estariam se protegendo contra eventos negativos no futuro. De toda forma fica a questão, e principalmente a expectativa de que essas agências revejam suas posições e indiquem um grau de risco menor para nosso País. |
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________________ *Fábio Gallo Garcia é professor da EAESP/ FGV e da FEA/PUC/SP, autor de diversos livros de finanças pessoais, consultor de diversas instituições financeiras. Tendo atuado como diretor administrativo-financeiro em empresas privadas e estatais. William Eid Júnior é professor Titular e Coordenador do Centro de Estudos em Finanças da EAESP/FGV. Responsável pelos Guias de Fundos de Investimentos das Revistas Exame e Você S/A, Guia 1000 Empresas de Valor do Jornal Valor Econômico, Autor do Guia de Finanças da Folha de São Paulo e de diversos livros em Finanças Pessoais. Consultor de instituições financeiras. |
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